ABREM-SE VAGAS PARA MULHERES : SALÁRIO INICIAL R$ 2.500,00 POR HORA EM 1 DIA/MÊS
28/10/2012

A Europa esta fervendo com o tema das quotas para as mulheres nos conselhos das empresas. O projeto que obrigada as 100 maiores empresas européias a ter 40% de seu conselho formado por mulheres, teve adiada sua votação para  novembro.

A votação das quotas deveria ter sido na terça feira passada (dia 23/10/12), mas foi adiada devido a necessidade de se reforçar a lei existente.

A Europa está muito a frente do restante do mundo no tema de diminuir a diferença entre homens e mulheres em 4 áreas fundamentais: Acesso à Saúde, Acesso à Educação, Participação Política e Igualdade Econômica. Finlândia, Noruega e Suécia já estão bastante avançadas, fecharam em 80% a diferença, e com isto pressionam os outros países a fazerem o mesmo.

Esta nova lei levará os 27 países da União Européia a adotarem a quota de 40% de mulheres nos conselhos obrigatoriamente, e isto depois que França, Espanha, Itália , Iceland e Bélgica já adotaram a lei dos 40% compulsórios. A Noruega já tem esta lei em vigor desde 2003.

Apesar do meu apreço pelos ingleses ( e aliás aqui estou eu em Londres neste momento), é o secretário de negócios inglês,Vince Cable, quem está liderando a campanha contrária a esta lei.

As empresas no Reino Unido tem hoje 16% de mulheres no conselho das 100 maiores empresas listadas em bolsa.

O principal argumento de quem é contra é de que as mulheres escolhidas não serão reconhecidas e validadas como competentes o suficiente porque não teriam sido escolhidas se não fossem pelas quotas! Realmente creio que ninguém vai escolher uma incompetente só para preencher quotas!

Eu sempre fui defensora da discriminação positiva : Em igualdade aparente de competência  a minoria deveria ser escolhida, até que a massa critica desta minoria exista e as forças se equilibrem.

Esta lei da União Européia prevê uma vigência de 10 anos, o que deveria ser suficiente para criarmos as condições de não mais ser necessário impor quotas.

Na minha vida profissional, debati este tema de discriminação positiva inúmeras vezes, e muitas delas com as próprias mulheres que se sentiam mal em ser colocadas na posição de privilegiadas sem motivo aparente.Porém concordo com a redatora da lei, e também vice presidente da comissão européia e presidente da justiça da comissão européia,Viviane Reding, quando diz: ” Obviamente seria muito melhor não precisarmos de quotas, mas apesar de muitos anos de retórica, o percentual de mulheres nos conselhos das grandes empresas européias continua incrivelmente baixo : 14%. Isto não é por falta de mulheres qualificadas, e ainda mais sendo 60%  o número de mulheres entre os universitários que se  graduam.

Mas assim como na minha experiência, a maioria das vezes as piores a se convencerem são as próprias mulheres : das 9 mulheres do conselho da comunidade europeia, 5 são contra a proposta de Viviane, e acham que cada pais e o próprio mercado deve se auto regular.

O mercado não se auto regula, e a discriminação é o que bloqueia esta auto-regulação : Você pode imaginar por exemplo um grupo de políticos corruptos votarem pela limpeza na politica e pela troca dos seus próprios postos de trabalho? Pois é esta é a questão quando se esta em maioria: continuação do status quo. E vamos lembrar que a mulher só é minoria no comando e no poder, pois na população ela é  50% no mundo todo!

Veja o vídeo da terça feira passada:http://www.youtube.com/watch?v=RoP4rxohb94

E as empresas são as que mais se beneficiarão destas decisões, pois há muitos estudos que comprovam que empresas com maior numero de mulheres no comando, apresentam melhores resultados financeiros.

Esperamos que o resto do mundo, e também o Brasil avancem neste tema no mesmo ritmo que a Europa, e que começando pelos conselhos, esta paridade de gêneros se expanda para os postos de mando executivos também. Só assim as mulheres poderão no futuro ter certeza que suas necessidades, pontos de vista, opiniões estejam sendo consideradas.

Por outro lado, há que se considerar o revés que esta diversidade pode trazer: Ninguem discute que mais diversidade traz mais inovação  pensamentos fora da caixa e melhor governança  O que parece ótimo  porém isto é teoria! Poucos são os locais que realmente se aproveitam desta oportunidade, e outros inclusive mergulham em conflitos e impasse.

É mais fácil formar um conselho diverso, do que fazê-lo funcionar bem. É parte da natureza humana sentir-se ameaçada, chateada, e frustrada com pessoas que possuam pontos de vista e experiências diferentes das nossas. O resultado é que estas pessoas que deveriam trazer um pensamento diferente são normalmente isoladas ou ignoradas , e batalhas pessoais começam a ser travadas ao invés de discussão construtiva sobre pontos de vista diferentes.

O papel do presidente do conselho neste caso é fundamental: deve estar atento as diferenças , e suportar os novos diretores mostrando que seus conhecimentos são apreciados, e tomar todo cuidado para que suas contribuições não sejam podadas,limitadas ou rotuladas.

Apesar de difícil,  a solução não é desistir , ao contrário tem-se que trabalhar para aprender a lidar com a diversidade, e aprender a trabalhar com pessoas que foram selecionadas não porque são iguais, mas exatamente porque são diferentes.

Veja o trabalho feito pelo  MIT Sloan Management Review sobre o tema:

QUESTIONS TO ASK YOURSELF

1. Has your company’s board gone out of its way to find people with complementary—and hence different—profiles?
2. Are board members with atypical backgrounds accepted by all of their colleagues ?
3. Does your board engage productively in forceful discussions?
4. Is there a board member designated to facilitate discussions and tease out potentially controversial positions?
5. Do atypical directors get help making the transition when they join the board?

If you answered no to any of these questions, your company should consider doing more to tap into the benefits of diversity in the boardroom.

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Sobre Denise Damiani

Ter crescido em uma família com muitos homens, e optado por uma carreira predominantemente masculina, fizeram com que Denise Damiani notasse a falta da presença e da visão feminina no mundo dos negócios. Passou então, a desenvolver planos e pôr em ação práticas para diminuir o abismo de gêneros no ambiente corporativo, desenvolvendo programas e implantando projetos para ajudar a nova geração de mulheres a chegar ao topo.

Denise Damiani é executiva na área de business e tecnologia, com formação em engenharia de sistemas digitais pela Escola Politecnica, MBA HBS Executive Program e IMD Executive Program.

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