O MEU, O TEU E O NOSSO
17/10/2012

Veja a historia de Ana, 55 anos, engenheira,mãe de 2 adolescentes. O nome foi trocado à seu pedido. Algumas coisas são como queríamos e outras nem tanto!

D: Quando e como você começou a trabalhar?

A: Aos 24 estagiei, e aos 25 comecei a trabalhar. Durante a faculdade tinha 2 bolsas de estudo e minha mãe complementava o orçamento. No meu primeiro emprego ganhava super bem. Com meus primeiros salários ajudei minha irmã e comprei uma moto e um carro.

D: Em que você gastou a maior parte do dinheiro que você ganhou na vida?

A: Acho que com viagens. Adoro viajar e sempre aproveitei as oportunidades para conhecer lugares. Investia tudo em viagens.Mas não sou gastona. Acho que do que ganhei na vida, gastei 30% e 70% apliquei. Comprei minha primeira casa já no segundo ano de trabalho. Tambem gastei bastante no processo de adoção dos meus filhos, que não foi nada barato.

D: E seus maridos, como foi a divisão e a ajuda com dinheiro?

A: Ai é que mora o problema: Tive algumas relações estáveis, e há 12 anos atrás casei com comunhão de bens. Sempre ganhei bem e guardei tudo que podia, mas ele ganhava muito pouco. Hoje me sinto tonta por ter casado na confiança total. Durante o casamento paguei sempre quase tudo das despesas do dia a dia, e também comprei um sitio e uma casa. Já tinha de antes um apartamento que mantenho alugado.

D: E o que houve?

A: Eu não pude ter filhos naturais, entao depois de 2 anos de casados, resolvemos adotar. Como moramos na Italia, adotamos 2 irmãos brasileiros, com 8 e 7 anos. Ter filhos nesta idade e condições foi um desafio, mas sabíamos disto e estávamos preparados para fazer o que fosse necessário. Mas depois de 7 anos ( agora eles estão com 16 e 15), no ano passado quase morri de raiva e desgosto: descobri que meu marido planejou por 1 ano um golpe para me tirar as propriedades e as crianças : Na Italia quem fica com os filhos fica também com as propriedades. Ele armou uma série de provas falsas para demonstrar que eu era um monstro de mãe e para poder ficar com a casa e as crianças. Sofri o maior baque da minha vida quando o oficial de justiça veio em casa me intimar e vi o processo de pedido de guarda das crianças. Era tudo mentira. Uma armação.

Gastei uma fortuna em advogados, mas felizmente consegui depois de 6 meses de batalha garantir a guarda das crianças. Neste período cheguei a pesar 40 quilos, e se não fosse minha irmã ter cuidado de mim, não sei como teria dado conta de trabalhar, cuidar da casa , dos filhos e ainda lutar esta guerra judicial insana.

D: E Agora o que vai acontecer?

A: Bem, até as crianças terem 18 anos, eu tenho a guarda. Depois disto eles decidem com quem  querem ficar, e eu terei que vender tudo e dividir 50% com o ex. Me sinto a própria “franga assada”.

D: Isto te faz perder uma vida inteira de economias, não é?

A: Isto é o que me dói, cada vez que penso em tudo que não fiz para economizar e ter uma velhice e aposentadoria tranqüila. Pois eu sou freelancer. Não vou receber nada do governo nem da empresa. Tenho que começar tudo de novo.

E também gastei uma fortuna no divórcio : advogados e viagens, e me comprei um carro BEM bacana também: só de raiva!

D: Quais os planos agora?

A: Eu estou bem de saúde e os meninos também. Então agora é bola pra frente. Vou precisar trabalhar pelo menos mais 10 anos para recuperar este estrago. Só peço a Deus nunca ficar doente.

D: Você faz conta? Sabe exatamente quanto ganha e quanto gasta? E onde?

C: Sei exatamente.Nunca gastei mais do que ganhava. Nunca comprei nada a prestação : você acredita que nem celular pós pago eu tenho para não ficar com uma conta em aberto! Tenho horror a dever. Comprei todos imóveis a vista, cash.

D: Quem vai te prover uma velhice tranqüila?

A: Eu mesma!

D: O que você ensinou sobre dinheiro para teus filhos?

A: Ainda não ensinei nada. Mas esta conversa me faz refletir que preciso começar a fazê-lo.Sempre achei que eles eram pequenos demais para conversas de dinheiro. Ensinei a lidarem com troco por enquanto.

D: O que você teria feito diferente, se pudesse, com o que sabe hoje?

A: Deveria ter gerenciado melhor as aplicações. Deixei de comprar imóveis que poderiam ter sido ótimos negócios. Mas eu comprava pensando em segurança e não em investimento. E sobre o casamento tenho uma frustração enorme. Deveria ter feito no mínimo o que me recomendou o juiz de paz no casamento: comunhão parcial de bens!

D: Você já fez trabalho de aconselhamento financeiro?

A: Não. Nunca perguntei nada a ninguém.

D: Como é a relação da tua família com o dinheiro?

A: Minha mãe sempre cuidou do dinheiro. Ela trabalhava no comercio. Meu pai ficava no sítio. Mas na minha família existe uma regra, uma tradição de que toda herança vai somente para os homens. E assim foi. Quando meus pais morreram meu irmão herdou tudo. A lógica por trás é de que os maridos cuidarão das mulheres.

A: Mas sabíamos que isto era o que meu pai queria, então eu e minha irmã abrimos mão da nossa parte. O mais irônico é que meu irmão gastou toda herança, e há alguns anos veio me pedir que vendesse a minha propriedade para dar dinheiro a ele. Eu respondi que isto eu não iria fazer. Ele teve mais oportunidade do que eu e não me sentia na obrigação de ainda dar do que fora construído por mim. Mas ajudei minha mãe quando ela precisou.

D: Muito obrigada por dividir tua historia com a gente.

A: Obrigada por este momento de reflexão.

 

O que vemos nestas 2 historias postadas são alguns pontos em comum

Ana tem grande forca de vontade e cuida muito de ganhar dinheiro, poupar e proteger os filhos ,mas não protegeu seu patrimônio amealhado a duras custas. Muito trabalho, economias, aplicação, mas um divórcio carrega em um instante 10 anos de poupança, numa fase da vida onde já se poderia estar mais tranqüila.

Estamos novamente diante da armadilha : não vou falar de dinheiro e fazer acordos com meu parceiro pois não quero ser vista como ‘dinheirista’.

Como disse anteriormente, a prevenção é sempre o melhor remédio.

Aproveito aqui para colocar os que no meu entender são os 4 pilares que garantem um sono e uma velhice tranqüila, e poupam muita dor de cabeça no meio tempo:

1- Ganhar Mais

2- Gastar Menos

3- Investir o que não gastou

4- Proteger a si mesma e a seu patrimônio

Aproveito para falar do item 4.

Morte, Divorcio, Invalidez : Ninguém quer pensar nestas realidades. Medo, superstição,final infeliz.

Na verdade é o contrário : se não nos antecipamos , sofreremos as conseqüências.

Não dá para ir vivendo a vida sem pensar nisto, pois na realidade 100% de nós morreremos um dia, e as taxas de divorcio dobraram nos últimos 10 anos no Brasil, conforme dados do IBGE.

Estas são coisas que os adultos terão que lidar nesta vida ! Faz parte de amadurecer, de ter uma família e de não deixar uma bagunça para que outros arrumem.

Então:

Crie uma reserva emergencial

Faça seguro de vida e escolha um tutor para seu filho

Faça seguro de saúde e de acidentes

Escolha bem um regime de casamento e faça um acordo pré nupcial

Tudo isto ajudará a evitar uma batalha judicial. Não permita que o medo atrapalhe seu processo de colocar estes itens em ordem.

Procure ajuda para fazer estas tarefas, se você como muitas não conseguirem ir em frente sozinhas.

Antes tarde do que mais tarde !

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Sobre Denise Damiani

Ter crescido em uma família com muitos homens, e optado por uma carreira predominantemente masculina, fizeram com que Denise Damiani notasse a falta da presença e da visão feminina no mundo dos negócios. Passou então, a desenvolver planos e pôr em ação práticas para diminuir o abismo de gêneros no ambiente corporativo, desenvolvendo programas e implantando projetos para ajudar a nova geração de mulheres a chegar ao topo.

Denise Damiani é executiva na área de business e tecnologia, com formação em engenharia de sistemas digitais pela Escola Politecnica, MBA HBS Executive Program e IMD Executive Program.

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