COMO TUDO COMEÇOU
20/09/2012

A ideia de escrever sobre mulheres e sua relação com o dinheiro surgiu em 2003, após uma imersão no tema diversidade e desigualdade no mundo do trabalho, com meu querido ex-presidente Joe Forehand e com um grupo de sócias sênior da Accenture.

Neste encontro entendi bem os conceitos de “teto de vidro”, e como era necessário que as empresas aproveitassem de maneira mais intensa seus recursos diversos, pois só com esta riqueza de colaboração e pensamentos criativos e distintos, as empresas conseguiriam superar seus desafios de crescer e prosperar.

Em 2004 iniciei um trabalho com o grupo de mulheres da Accenture no Brasil e America Latina, onde o principal objetivo era de ajuda-las a crescer na carreira e prosperar. Vinham de pesquisas americanas, o conceito de que: se uma minoria de mulhereschegasse a ter 30% de representantes em cargos altos e de poder, esta minoria teria sua condição mudada, pois já teria massa critica suficientemente empoderada a fazer a diferença e lutar por melhores condições. Então era uma questão de chegar aos tais “30% no poder”. Mas veja: em 2003, tinhamos menos de 3% de mulheres! Foi então que começamos um programa para conseguirmos em poucos anos chegar aos 30.

O programa tinha como objetivo fazer com as mulheres achassem que isto era possível ultrapassando a barreira da descrença feminina e fazer com que os homens entendessem que isto não era uma ameaça a eles, mas sim algo justo, desejável e possível, pois só assim garantiríamos o posicionamento da empresa na liderança do setor. De 2003 a 2010 o programa foi implementado para atender a essa primeira necessidade, que na realidade, se mostrou muito mais difícil do que era de se esperar. Foi neste período que convivi com mais de 3000 mulheres que estavam nos mais diversos escalões e posições na empresa.

Elas eram muito competentes mas não subiam na carreira, trabalhavam e produziam muito, mas ganhavam menos. Eram serias, compenetradas, dedicadas mas se sentiam sempre em divida. Não sabiam pedir mais salário, não sabiam o que fazer para guardar dinheiro e não sabiam o que fazer para que o dinheiro poupado, pudesse crescer. Quando me propus a conversar e entender o que significava tudo isso fui percebendo a insegurança:

“Eu não peço mais salário para não parecer “dinheirista”. ”

“Eu não peço aumento porque podem me entender mal”

“Quero que me reconheçam pelo que faço e nao porque pedi”

Refletindo um pouco mais sobre as conversas que tive com essas mulheres, fui percebendo que, por trás da falta de auto estima e da falta de coragem para se arriscar estava a falta de uma rede de apoio. 

“Não tenho dinheiro suficiente então não posso arriscar perder o emprego”

“Tenho que agüentar firme aqui, porque a vida é assim mesmo”

“Não sei como cheguei a este ponto, mas estou muito endividada”

Destes relatos e muitos outros, cheguei a uma equação simples, porém, dramática:  as mulheres ganham menos durante sua vida de trabalho. As mulheres gastam maisdurante sua vida, pois cuidam de muita gente. As mulheres vivem mais anos do que os homens e a maioria delas não cuidou nem poupou para ter uma velhice tranqüila.

Portanto o que eu vi foi: MENOS dinheiro que entra, MAIS dinheiro que sai e MENOS dinheiro poupado e ainda mal administrado.

Bom, a partir de todo esse diagnóstico, vi uma grande oportunidade de trabalhar com essas mulheres na construção desta rede de segurança, para que além de garantir uma tranquilidade financeira, fosse o pivô para que pudessem ousar mais na carreira, acreditar em seus desejos e ideias, e crescer como mulher. O trabalho tinha 4 frentes: ajuda-las a crescer na carreira e ter MAIS dinheiro entrando, a se organizar e GASTAR menos, a cuidar da poupança, e se prevenir para que nada de grave aconteça com o dinheiro poupado e o patrimônio conseguido.

Os resultados desse trabalho vocês encontrarão aqui com em alguns depoimentos e histórias que vou contar. E para as mulheres que querem começar a mexer na sua vida fincanceira a partir desses quatro pontos que coloquei, acompanhem o blog, que estarei aqui para ajuda-las!

Boa leitura.

D.D

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Sobre Denise Damiani

Ter crescido em uma família com muitos homens, e optado por uma carreira predominantemente masculina, fizeram com que Denise Damiani notasse a falta da presença e da visão feminina no mundo dos negócios. Passou então, a desenvolver planos e pôr em ação práticas para diminuir o abismo de gêneros no ambiente corporativo, desenvolvendo programas e implantando projetos para ajudar a nova geração de mulheres a chegar ao topo.

Denise Damiani é executiva na área de business e tecnologia, com formação em engenharia de sistemas digitais pela Escola Politecnica, MBA HBS Executive Program e IMD Executive Program.

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